Contéudo dramático
- Carla Marques
- 29 de abr. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 21 de jan.
Obs: Esse texto foi escrito de um lugar de empatia, quando decidi entender esse lugar onde se encontrava uma pessoa querida. Me coloquei por alguns momentos propositalmente em um cenário sombrio e me permiti sentir... a dor. A seguir, você lerá um texto impactante: o diálogo intenso de uma alma em ruptura. De um lado, a vontade de desistir; do outro, a coragem de seguir em frente. São relatos escritos entre lágrimas verdadeiras, em um momento único em que me permiti sentir essa dor, estar neste lugar. Às vezes as pessoas se acostumam a fugir de seus sofrimentos, colocam em pesados baús, trancam com cadeados robustos — fazem isso para evitar sentir. Este é o retrato do que acontece quando, por um instante, ousamos abrir uma pequena fresta deixando escapar essas emoções reprimidas.
— Eu sei que você quer viver! Você só está com medo! Eu te entendo! Isso vai passar! Eu vou te ajudar! — Eu não tô com medo! Eu tô cansada! Eu não pedi nada disso e eu posso fazer parar! Superar… Pra quê? Pra que participar desse jogo ridículo de quem se ferra mais? Quem inventou isso é um sádico! Ninguém é feliz nessa merda! E eu cansei de tentar! — Não é verdade, muitas pessoas são felizes, e você também já foi. Só não consegue se lembrar agora porque a dor é muito intensa e está limitando sua percepção. Mas eu me lembro da sua alegria de viver, do seu amor pela vida e não vou desistir de você! Você tem grandes sonhos, sempre quis realizar grandes coisas, sua vida é importante não só pra mim, você tem muito a contribuir para a sociedade. — Eu me lembro sim de quando eu era uma iludida, de quando eu achava que realmente existia um propósito, um significado profundo pra minha existência. Eu me empenhava tanto pra chegar nos meus objetivos, acreditava que havia uma recompensa para os merecedores. Mas não tem. Esse mundo é do avesso! Quanto mais você se dedica mais distante você fica, mais dificuldades aparecem. E nem venha me falar que as dificuldades nos tornam fortes, que não existe vitória sem luta, porque era EU quem costumava motivar as pessoas assim. Sei todas essas frases de cor. Só que finalmente percebi, tem uma galera que não tá lutando, não estão fazendo o mínimo esforço pra serem melhores em nada, eles só estão se divertindo, festejando, curtindo a vida, enquanto nós, os disciplinados, os esforçados, estamos um caco fisicamente e emocionalmente. Finalmente entendi que não existe justiça no mundo. Então decidi: Não quero mais ser forte. Não quero mais ser guerreira. Eu não quero mais essa responsabilidade toda! Eu tô extremamente cansada de segurar tudo sozinha. EU QUERO SER A VÍTIMA DESSA VEZ!!! — Ok, seja a vítima! Reclame, chore, culpe alguém, por quanto tempo precisar! E quando terminar vai estar pronta pra voltar para o seu lugar de protagonista forte, corajosa e determinada, e vai continuar a escrever sua história. Não precisa terminar aqui! É só uma fase, um esgotamento. Não precisa desistir de você! Então eu desabo. E choro, um choro sofrido, angustiante e copioso. Me vem tudo à mente. Todas as vezes que vivi situações que não merecia e me mantive firme. Todas as vezes que coloquei um sorriso no rosto e me enchi de esperança diante de um cenário caótico. Todas as vezes que agradeci pela minha vida idiota, acreditando que um dia meus sonhos iriam se realizar se eu me esforçasse o suficiente. E a culpa é minha! Por ser ingênua, honesta, os bonzinhos só se ferram sempre! Eu fiz o que pude, de verdade. Tudo mesmo. Não quero mais. Não vale a pena. O pior é que eu sei que aqui dentro ainda tem força pra continuar. Mas não faz mais sentido continuar! Tem que ser muito burro pra ficar gastando energia em vão! Eu tô vendo que não tá adiantando nada! Tô andando em círculos! Então pra quê??? — É claro que tá adiantando! Dá uma olhada de onde você veio, o quanto já percorreu, quanta coisa construiu, quantas pessoas você inspirou. Não foi em vão!!! E ainda tem muito mais!!!… O que eu mais odeio é esse senso de responsabilidade. Essa luzinha que fica piscando me lembrando que pessoas dependem de mim. Eu quero o direito de surtar também! E nem isso eu consigo fazer direito! É por isso que eu quero que a vida acabe. Pra me libertar! Eu sou refém dos meus deveres e não sei como sair disso sem prejudicar os outros. Aarrg! Os outros! Também odeio esse senso de empatia inútil que me faz ficar em último na minha lista de prioridades. Faço tanto por todos! Quem está fazendo por mim? Eu me coloquei nesse papel de invencível, inabalável, e me arrependo muito disso! Os frágeis são merecedores de atenção, de cuidado, de amparo, enquanto os fortes podem se virar, eles não precisam de cuidados. Escolhi errado meu papel na vida e é por isso que quero ser a vítima. Mas não tô servindo bem pra isso. Afinal, as vítimas não se importam com os estragos que deixam no caminho. E eu me importo bastante. Jamais deixaria a casa cair em cima de todos porque me recusei a fazer meu papel de estrutura. Eu me odeio por isso! Porém mais uma vez vou segurar a barra, em nome da merda do senso de responsabilidade.
fim 05.04.2024 É interessante perceber que aquele baú carregava feridas não curadas. O acúmulo silencioso foi, aos poucos, gerando o esgotamento.
Lidar com uma dor de cada vez é infinitamente mais sábio do que esperar a bomba explodir e se afogar nas emoções reprimidas.
Enfrentar as dores assim que surgem é cortar o problema pela raiz.
A Carla do passado não resolvia: ela guardava. E, com isso, vivia em extremos.
Essa lembrança me conduz à filosofia de Buda: todos os extremos nos prejudicam — a verdadeira meta é o caminho do meio, onde encontramos o tão sonhado equilíbrio.
E havia ainda um erro crucial, agora tão claro: Carla não se priorizava.
"Faço tanto por todos! Quem faz por mim?", ela se perguntava.
A resposta, meu bem, é simples e poderosa: quem precisa fazer por você é você mesma!
Esqueceu da tua própria verdade? "O amor só consegue alcançar o próximo quando transborda em nós."
Então, enche o teu copo primeiro. Permite que ele transborde — assim, quem está ao teu redor sempre receberá teus cuidados, sem que você se esvazie. (Editado com IA) 29.04.2025



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