O dia em que tropecei em mim mesma
- Carla Marques
- 22 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
Hoje eu tropecei. Mas não em algo do lado de fora - tropecei em mim mesma. No meu tom de voz. No jeito atravessado de falar. Na raiva que tomou a frente antes do respeito. Na pressa de me expressar antes de escutar.
Foi por causa de bombons. Sim, bombons. Mas claro, não foi sobre isso. Foi sobre uma tpm, um corpo cansado, um emocional inflamado, e uma mente que esqueceu de respirar antes de reagir.
Eu já tenho três anos de loja. Já lidei com cliente difícil, com nota que não fecha, com entrega atrasada. Mas sempre, o desfio maior é lidar comigo mesma. Porque controlar o malabarismo cotidiano do lado de fora é quase mecânico. Mas controlar o que transborda aqui dentro... Ah, isso exige um tipo de força que não vem com o tempo - vem com a coragem de encarar a própria sombra, reconhecer os próprios erros e decidir ser melhor a cada dia.
A funcionária achou que eu a acusei de roubo. Mandou mensagem para o meu sócio. pediu demissão. Teve crise de ansiedade. A mãe dela me ameaçou com advogado. E eu? Chorei.
Não pela ameaça, ou pela demissão. Mas pela constatação: o problema, dessa vez, fui eu.
Eu que sempre apontei o descontrole do outro, não percebi o meu.
Eu que achava que já sabia lidar, que já era madura, que já tinha aprendido... Caí num erro de principiante.
Eu que consumo tantos conteúdos sobre inteligência emocional, percebo agora o abismo entre o saber e o ser. Eu, que ontem mesmo comecei a ler a autobiografia de um iogue, hoje encaro a dura constatação de que ainda estou muito distante do tão almejado domínio próprio. É fácil admirar a serenidade nos livros - difícil é mantê-la quando o gatilho aciona e toca a ferida onde mais dói.
"A dor é uma brilhante professora da escola da vida. Quem senta para aprender com ela, absorve lições valiosas." (Tiago Brunet)
Esse erro hoje me ensinou muito.
Ele me ensinou que escutar é mais urgente do que falar.
Que acolher o sentimento do outro pode evitar o caos.
E que, por mais que a gente evolua, ainda há dentro de nós uma criança querendo acertar, e às vezes gritando sem perceber que machuca.
Hoje eu tropecei. Mas não caí em vão. Caí para enxergar.
Agora vejo, levanto com mais humildade, mais cuidado.
Porque crescer de verdade é isso:
Saber pedir desculpas sem tentar justificar.
Saber acolher sem perder a firmeza.
Saber que erros não nos definem - mas o que fazemos diante deles, sim.
Amanhã é outro dia.
E eu sigo com uma nova meta: mais silêncio antes da fala, mais escuta antes de expressar a dor.
E com a esperança de que, um dia, eu consiga ser mais gentil - comigo, com o outro, e com o mundo.
21.04.2025
Por Carla Marques
Texto criado com IA



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