Passarinho
- Carla Marques
- 22 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 25 de ago. de 2025
Começou com uma vontade tímida e um coração apertado. A idéia de cantar ao vivo era como um pássaro engaiolado dentro do peito - queria voar, mas não sabia se tinha asas. A primeira live no Tiktok foi uma travessia de nervos e suores frios. A voz tremeu, os pensamentos correram mais rápido que as melodias. Quando terminou veio o alívio de ter sobrevivido. Mas durou apenas 1 segundo, sendo esmagado pelo peso dos julgamentos que ecoavam fortes na mente.
Mas ela não parou.
Mesmo com o estômago embrulhado e os ombros pesados de tensão, começou a gravar vídeos. Alguns dias amava o resultado, em outros queria deletar tudo. A insegurança dançava com ela, desafinando as notas da autoconfiança. "Quem sou eu pra achar que posso?" - o velho sussurro da mente sabotadora aparecia toda vez que o número de curtidas era menor que o esperado.
E então, o palco apareceu.
Foi convidada para cantar em um barzinho. Topou com a coragem vestida de improviso. Montou o repertório em dois dias, chamou apenas os mais íntimos e enfrentou o desconhecido. Erros aconteceram, claro. Mas os aplausos sinceros e os olhos brilhando da plateia disseram algo que ela não sabia ouvir direito: você tem algo especial.
A cada sábado, a apresentação se tornava um ritual de superação. A insegurança ainda estava lá, claro - às vezes disfarçada de perfeccionismo, às vezes vestida de dúvida. Mas também estavam lá o brilho no olhar de quem escutava, as mensagens de incentivo, o cachê confirmado, e o contrato renovado. Estava acontecendo. E era real.
Postava vídeos sim. Às vezes por impulso, às vezes por estratégia. Quando o retorno não vinha, o velho medo voltava: "E se as pessoas pensam que sou uma fraude?" Ela mesma pensava, muitas vezes, isso sobre ela. Mas no fundo, ela sabia que cantar não era só acertar notas. Era tocar almas. E isso, ela fazia.
Começou a perceber que até os profissionais com muitos seguidores tinham dias de baixo engajamento. Que os artistas renomados já sofreram com timidez e insegurança. Que a trajetória não precisa ser perfeita, precisa ser verdadeira. E que fazer parte da rede não é sobre impressionar, mas sobre se conectar.
Hoje ela escolhe com mais carinho o que posta. Faz flyers bonitos, ensaia o repertório que ama, e sorri no palco - mesmo que o salão esteja vazio. Porque agora ela sabe: a voz que carrega no peito merece ser ouvida.
E como um passarinho aprendendo a voar, ela descobre, a cada dia, que a liberdade é sua maior conquista. - e que a gaiola sempre esteve dentro dela.
22.04.2025
Por Carla Marques
Criado com IA.



Comentários